Uma denúncia anônima levou à prisão um tatuador em Belo Horizonte no último final de semana. Bastou uma vítima procurar a polícia para que mais de 40 outras aparecessem com a mesma acusação.

Casos como esses têm sido recorrentes. E são muito tristes e revoltantes. Mas vejo um lado positivo nisso: a união das vítimas, a coragem que uma passa pra outra na hora de denunciar, a solidariedade que recebem de toda sociedade.

Acredito que estamos numa boa direção, onde não iremos mais aceitar esse tipo de comportamento.

Os números são assustadores, mas o crescimento das denúncias reforça que estamos no rumo certo. No ano passado, o aumento foi de 30%, e não podemos deixar isso se perder.

É fundamental uma mobilização de toda sociedade para que a apuração vá até o fim, os culpados sejam punidos, e que haja também uma mudança na mentalidade dos homens e dos governantes.

Do meu estado, Minas Gerais, por exemplo, chega uma notícia desanimadora. O Centro Risoleta Neves, que presta assistência a mulheres vítimas de violência está prestes a fechar, em Belo Horizonte.

O atendimento para novas pacientes já não está sendo feito e as que estão em tratamento receberão alta, mesmo que ainda não estejam em condições para isso.

É lamentável que um retrocesso como esse exatamente no momento em que a sociedade se mobiliza, como nunca, contra esse tipo de violência e sabe que esse tipo de assistência é fundamental para que essas mulheres consigam retomar suas vidas e seguir em frente.

Vamos cobrar e nos mobilizar para evitar esse fechamento. O Governo de Minas Gerais, assim como de todo o resto do Brasil, precisa ser parceiro da sociedade e participar desse movimento a favor da vida das mulheres.