Categoria: Turismo

Setor aéreo: o gosto amargo da incompetência

Todo dia, centenas de pessoas sofrem nos aeroportos, agoniados com atrasos – muitas vezes, não razoáveis –, cancelamentos de voos, falta de informação, extravio de bagagem e, principalmente, com o descaso das companhias aéreas que, absurdamente, agem como se todo esse caos fosse normal.

 Assisto a isso sempre nos aeroportos e, no dia de ontem (19/12), em voo de Brasília a Belo Horizonte, resolvi registrar um pouco do gosto amargo dessa gestão incompetente e omissa que, por falta de infraestrutura e também por mau atendimento, vem causando e prolongando a crise do setor aéreo.

 

O Voo 3853 da Tam, de Brasília para Belo Horizonte, de 19/12, estava previsto p/ 21h28.


Ao chegar ao aeroporto, às 20h50,  munido do cartão de embarque, fui informado de que o embarque seria pelo portão L e da previsão de atraso de 27 minutos.

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A entrada para o portão é nova e a sinalização, insuficiente. Ao entrar no portão, somos encaminhados para um salão com outras portas de entrada. Sobre esta, não há avisos indicativos do voo. O embarque é remoto, ou seja, há um percurso a percorrer de ônibus até o avião. Embarcaram dois cadeirantes entre os passageiros. Segundo o funcionário da companhia, só comportava um. Um dos cadeirantes precisou ser amparado pelo funcionário para subir um andar e sentar na cadeira disponível.

Em seguida, o ônibus deslocou-se até um terminal temporário, chamado de terminal de lata. Estava cheio de passageiros esperando pelo embarque. Outra previsão de chegada da aeronave: 22h30.

Vou até um totem para carregar o celular. Não funciona.

22h30 e nem mais um chamado.

Às 22h40, as pessoas esperam ansiosas e cansadas pelo ônibus que nos levaria até o avião.

São 22h50: esperando na parte de fora dos terminais para entrar. A funcionária da Tam, que recolheu os cartões de embarque, não pediu documento de identidade. Não o apresentei nenhuma vez no aeroporto.

22h56,  subo as escadas e entro no avião.

23h24,  avião começa a movimentar. Conto a um amigo a história. Ele diz “Cê tá de sacanagem!”. Respondo que  a sacanagem é da Infraero.

 

23h30,  avião decola!

 

00h28, pouso no aeroporto Tancredo Neves em Confins. Até agora nem um pedido de desculpas ou explicação do atraso, por parte da Tam.

 

00h30, aterrissagem. Nenhum pedido de desculpas ou explicação do atraso pela Tam.

 

00h34, desembarco do avião. Agora, viagem até BH.  Eta saudades de casa!

 

Viajar de avião é uma experiência única e o meio mais rápido de locomoção. Conhecer e rever pessoas e lugares, tudo isso é um momento maravilhoso de alegria e de emoção que não pode ser frustrado ou comprometido por um desserviço público: falta de planejamento e de gerenciamento, improviso e desrespeito ao usuário.

A crise do setor aéreo brasileiro não se mede apenas pela já notória deficiência da infraestrutura – insuficiência da malha e equipamentos, precariedade das instalações dos terminais e alas de check-in, incapacidade dos pátios de estacionamento de aeronaves, falta de treinamento do pessoal. Mede-se também pela qualidade do atendimento que se presta ao passageiro, desde a marcação da passagem até o seu pouso no destino; pela pontualidade dos voos; enfim pelo respeito que deve caracterizar qualquer relação de consumo.

Um país, às vésperas de sediar a Copa das Confederações e a Copa do Mundo de Futebol, não pode descuidar da infraestrutura, sob pena de jogar pelos ares todo o investimento com os estádios e as arenas. O esforço de trazer esses eventos para o Brasil tem que dar resultado. O tiro não pode sair pela culatra.

Rodrigo de Castro, deputado federal e secretário-geral do PSDB