Mês: abril 2016

Em momento de dengue, zika e H1N1, Brasil reduz gastos com prevenção de doenças

Qualquer pessoa consegue, em um raciocínio simples, entender que, na área da saúde, prevenção é tudo. Afinal, além de poupar sofrimento, os gastos são sempre menores para se evitar doenças do que para curá-las. Infelizmente, essa não tem sido a lógica do governo brasileiro nos últimos anos.

No ano passado, os gastos com prevenção de epidemias caíram em mais de 9%, exatamente poucos meses antes de vivermos uma das maiores epidemias de dengue e do avanço do zika vírus.

Esses recursos são aplicados nos repasses para estados e municípios, nas campanhas preventivas e na oferta de materiais como os testes de diagnósticos.

Somente no início deste mês de abril, o Ministério da Saúde alterou os critérios para a contratação de Agentes de Combate às Endemias, permitindo que as prefeituras possam contratar mais gente. Mas isso acontece somente agora, quando entramos no período de seca e a epidemia de dengue e zika começa a registrar queda.

Posso falar ainda dos graves dados que o Brasil apresenta na questão do saneamento básico. São 35 milhões de brasileiros sem acesso a esse serviço, e todos sabemos que essa é a única maneira de combatermos definitivamente doenças como essas.

Vejo agora que o governo novamente repete a falta de planejamento e de investimentos em prevenção.
Sem acabar com os problemas causados pela dengue e pelo zika, o Brasil já enfrenta um crescimento no número de infectados pelo H1N1, inclusive com centenas de mortes.

E mais uma vez o governo demora a agir. Por enquanto apenas metade das vacinas contra gripe foram enviadas aos estados e, em muitas cidades, as doses se esgotaram rapidamente e, em outras, as filas são enormes.
Isso sem falar na falta de outras vacinas e remédios para doenças graves, como diabetes. Fato que vem se repetindo nos postos de saúde de todo Brasil.

Enquanto não houver uma inversão na lógica e no planejamento dos investimentos, não teremos uma mudança na nossa saúde. O governo não pode ficar esperando as epidemias chegarem para agir. Prevenção é o caminho.

Primeiros meses do ano: a cada hora, quatro empresas fecharam as portas em Minas

Um levantamento divulgado nos últimos dias me deixou extremamente preocupado. Segundo a Junta Comercial de Minas Gerais, a cada hora, quatro empresas mineiras fecharam as portas nos dois primeiros meses do ano.

A grave crise econômica por que passamos não é surpresa para ninguém, mas quando vemos números de magnitude como essa, temos a exata noção de como a paralisia da economia afeta a vida das pessoas, acabando com sonhos e planos.

O resultado do fechamento das empresas, é claro, que não podia ser outro a não ser o desemprego: em janeiro e fevereiro, somente em Minas, foram fechados quase 20 mil postos formais de trabalho.

As demissões alimentam uma perigosa bola de neve. Sem emprego, as famílias param de consumir, prejudicam a indústria e o comércio, e o resultado são novas demissões.

Tudo isso tem grande reflexo na arrecadação de tributos, pioram as contas públicas, deixando especialmente os prefeitos e servidores públicos em situação difícil. Várias prefeituras brasileiras ainda não pagaram sequer o 13º salário do ano passado.

As dificuldades econômicas também têm feito com que as pessoas abandonem os planos de saúde e as escolas particulares. O que representa aumento de demanda ao poder público.

Estamos neste ciclo perverso há quase dois anos e, infelizmente, não temos perspectiva de melhora num curto prazo.

Diante disso, essa Casa precisa ter extrema responsabilidade ao lidar com as propostas que chegam do governo porque sabemos que a única solução que a equipe econômica enxerga é o aumento de impostos.

E nós conseguimos imaginar o efeito que isso poderia ter: as empresas ficam ainda mais apertadas e continuam demitindo.

Não temos como concordar. Temos obrigação de trabalhar medidas que incentivem a produtividade e a contratação de pessoal e nunca medidas que, a longo prazo, trarão ainda mais recessão.

No meu entendimento, as armas para lutar contra essa retração na economia são exatamente contrárias às que o nosso governo tem usado.

Desemprego na construção civil assusta e medidas do governo devem agravar a situação

O desemprego chegou a 8,2% no mês de fevereiro, o pior resultado para o mês em sete anos. Neste cenário, o setor da construção civil, especificamente, pode ser escolhido como a síntese da crise que vivemos. Atingido diretamente pela paralisia dos setores públicos e privados, somente em Minas Gerais, nos dois primeiros meses do ano, 2.771 vagas foram fechadas. A desocupação nesta área cresceu mais de 50% com relação ao ano passado.

Infelizmente não temos neste momento nenhuma obra de grande porte em andamento num estado gigantesco como Minas Gerais. Somente no Programa de Aceleração no Crescimento (PAC), o governo federal já cortou mais de 4 bilhões de reais neste ano. O governo do estado também não tem recursos para investir.

Obras fundamentais para Minas Gerais como a ampliação do metrô e duplicação da BR-381, entre outras, nem sequer começaram ou estão paralisadas.

O setor privado também está em compasso de espera, já que o orçamento das famílias está muito apertado e as pessoas têm medo de tomarem uma decisão que terá reflexos a longo prazo.

Lamentavelmente, esse cenário não é exclusivo de Minas Gerais e as perspectivas não são boas até o final do ano. Especialmente agora que a Caixa Econômica Federal aumentou os juros do financiamento para a casa própria, dificultando ainda mais a vida de quem pretende comprar um imóvel.

Com um grande estoque de casas, apartamentos e salas à disposição, não faz sentido as construtoras iniciarem novos projetos, mantendo boa parte da mão de obra desocupada.

O mais preocupante é que uma paralisia como essa no setor da construção civil tem forte impacto em toda cadeia. O comércio de material de construção, por exemplo, também é fortemente atingido.

Sem falar nas próprias famílias dos trabalhadores que têm sido obrigadas a reduzir o consumo, prejudicando o comércio.

É um ciclo perverso e que só terá fim quando tivermos um governo com credibilidade e que convença que pretende levar a sério o ajuste fiscal e as medidas de que o país precisa.