Mês: fevereiro 2016

Crise atinge em cheio a educação superior no Brasil

A crise econômica e as mudanças das regras do governo federal para a educação superior estão causando um triste cenário no Brasil: a redução do número de alunos que frequentam as universidades.

Se por alguns anos, o PT encheu a boca para falar que foi o responsável por levar os jovens brasileiros para uma faculdade, podemos dizer agora que a política desastrosa deste governo tem feito com que muitas famílias sejam obrigadas a desistir do sonho de ver seus filhos com cursos superiores.

Embora ainda não estejam disponíveis dados oficiais do ano passado, professores, alunos e administradores das universidades constatam a retração de alunos nas escolas privadas.

Prova disso foi a procura menor pelos vestibulares. Algumas faculdades, ainda agora, no fim de fevereiro, têm vagas abertas e estão atrás de alunos.

Triste retrato para um país que ainda ocupa posições bem atrás de outras nações na formação de seus jovens.
Nunca é demais lembrar o que o governo federal fez com a educação superior no Brasil no ano passado, exatamente quando a presidente inventou de dizer que nosso país seria a Pátria Educadora.

O Ministério da Educação foi duramente atingido pela crise econômica. Foi a terceira pasta que mais perdeu verba, com um corte de R$ 9,4 bilhões.

A situação do governo é tão complicada que não havia alternativa a não ser o corte de recursos. Mas fazer esse ajuste em uma área tão relevante quando a educação só indica a falta de critério e de sensibilidade por parte da presidente Dilma.

Como não poderia deixar de ser, os cortes no orçamento atingiram em cheio programas como Fies, que faz o financiamento do ensino superior, o Pronatec, que promove o ensino técnico e o Ciências Sem Fronteira, que possibilitava intercâmbio estudantil.

A incompetência do PT é tanta que temos uma geração de jovens sem perspectiva de um bom futuro. Se por alguns anos, as famílias acreditaram que seus filhos teriam um futuro melhor, agora estão sentindo o desgosto de ver que isso não se realizará.

O PT não teve competência para manter nenhuma das conquistas que a estabilidade econômica, conquistada a penas duras, poderia nos trazer. Em todos os aspectos, retrocedemos muitos anos!

Dá para acreditar que agora o governo Dilma levará o ajuste fiscal a sério?

O governo federal anunciou, na última semana, um bloqueio de gastos de R$ 23,4 bilhões no orçamento de 2016. O valor é considerado ínfimo e terá um impacto muito pequeno no rombo que o governo prevê para o ano.

Além disso, ao ler sobre o anúncio do Ministério do Planejamento, fiquei me questionando sobre o que as pessoas em geral, os analistas de mercado e, claro, os investidores, pensam quando leem e ouvem notícias como essas.
Diante do fato de que, há alguns meses, o governo anunciou, por exemplo, o corte de 3 mil cargos comissionados e nada aconteceu, é possível acreditar que desta vez será diferente?

A presidente Dilma chegou a anunciar também uma redução em seu próprio salário e no do vice-presidente. Mais uma vez, nada aconteceu. O que nos fará acreditar que agora é pra valer?

Novamente, o governo demostra sua incapacidade de cortar na carne e investir num bom planejamento para garantir a oferta dos serviços com menos dinheiro.

Além disso, há notícias também de que o governo pretende congelar o salário mínimo. Sem falar na insistência em aprovar a CPMF. Ou seja, a presidente Dilma insiste em transferir para a população o ônus da crise que sua desastrosa política econômica vem causando.

Em Minas Gerais, a situação é muito semelhante. O governo do estado anunciou um corte de R$ 2 bilhões, valor pequeno diante do rombo de mais de R$ 8 bilhões previsto.

E novamente o PT erra na escolha das áreas alcançadas pelo corte. Depois de aumentar a máquina pública com criação de secretarias e cargos, as áreas como segurança e saúde são as mais atingidas com o contingenciamento.

Sem falar na falta de compromisso com o servidor público, que já vem sofrendo com o atraso e o escalonamento de salários.

Em 2003, quando assumiu o governo mineiro, com condições financeiras ruins, o então governador Aécio Neves fez uma verdadeira reforma administrativa, cortou o próprio salário e reduziu gastos com custeio.

Isso garantiu credibilidade ao Estado e permitiu a retomada dos investimentos.

Da mesma forma, o então governador Antonio Anastasia precisou fazer novos cortes de despesas em 2013, diante já dos enormes erros da equipe econômica de Dilma Rousseff. E, em nome da responsabilidade com as contas públicas, ele fez um duro ajuste.

Dessa forma, o PSDB, durante os 12 anos que governou Minas, manteve seu compromisso com o funcionalismo e pagou salários em dia.

O PT em Minas age exatamente da mesma forma que o governo petista de Brasília. Só conhece a equação de aumento de impostos para continuar financiando o inchaço da máquina pública. Não é capaz de fazer um ajuste sério em suas contas para preservar os serviços essenciais para a população.

Minas e o Brasil estão pagando um preço muito alto por isso!

Combate ao aedes aegypti precisa ir além das ações de puro marketing

Assistimos no final de semana passado a um verdadeiro show de marketing. A presidente Dilma escalou suas dezenas de ministros para irem às ruas numa ação de combate ao mosquito que tem assustado o Brasil e o mundo, com a transmissão da dengue, do zika vírus e da febre chikungunya.

Como não classificar de puro marketing a ação, quando descobrimos que há cinco meses o Ministério da Saúde não envia aos estados kits para a detecção da dengue?

Quando ficamos sabendo que o número de visitadores sanitários, agentes que checam a existência de focos do mosquito nas residências, caiu pela metade em 2015?

E o que dizer da falta de estatísticas seguras a respeito das notificações de zika vírus? Os dados do Ministério da Saúde são totalmente discrepantes da realidade. Um especialista da PUC do Paraná chegou a dizer que seria melhor que esses dados oficiais nem sequer existissem.

Diante dessas notícias dos últimos dias, não há outra definição para o que vimos no sábado, além de propaganda.
O governo quer se aproveitar do fato de que, obviamente, o mosquito é um inimigo comum de todos os brasileiros e tentar ganhar popularidade para a presidente Dilma.

Mas na sua essência a ação foi completamente inútil. O combate ao mosquito não é mais uma questão de informação. Há décadas o brasileiro é informado sobre isso.

Precisamos avançar. Por que não temos ainda uma vacina contra a dengue? Temos tecnologia para isso e diversas frentes de estudo.

Sem falar nas nossas condições de saneamento básico que ainda são tristes.

Não podemos deixar que, mais uma vez, o governo brinque com o povo brasileiro em um assunto tão sério.
Vamos exigir que a questão seja tratada com responsabilidade e seriedade. Não vamos compactuar com o interesse do governo de promover sua popularidade sem focar no que realmente interessa, ou seja, na eliminação do mosquito, das doenças graves que ele provoca, nas mortes por negligência e irresponsabilidade e nas ações preventivas, como o avanço das pesquisas para a criação das vacinas.

Brasil não consegue melhorar a qualidade de ensino oferecida aos jovens

Uma pesquisa divulgada nos últimos dias pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) trouxe um dado muito preocupante para a educação brasileira. Nossos estudantes apresentam um péssimo desempenho em matemática, ciências e leitura. Esse dado nos convida à reflexão sobre a qualidade do ensino que temos oferecido aos nossos jovens.

De acordo com a pesquisa, os estudantes brasileiros têm a segunda pior performance em uma lista de alunos de 64 países de todo o mundo. Eles não têm capacidade elementar para compreender o que leem, nem conhecimentos essenciais de matemática e ciências.

O relatório, intitulado “Alunos de baixo desempenho: por que ficam para trás e como ajudá-los?”, baseia-se em dados de 2012 do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), da própria organização.

Dos 64 países analisados, o Brasil ficou na frente apenas da Indonésia. Em termos percentuais, o País é o décimo pior avaliado, atrás de Catar, Peru, Albânia, Argentina, Jordânia, Indonésia, Colômbia, Uruguai e Tunísia.
Outra constatação do estudo é de que o Brasil está entre os mais desiguais do mundo no que diz respeito à diferença de desempenho entre estudantes de classes sociais altas e baixas.

Entre os motivos apontados pela Organização para o mal desempenho do Brasil está a inclusão de muitos estudantes no sistema educacional do Brasil nos últimos 15 anos.

Mas é exatamente neste ponto que faço minha reflexão: estamos levando nossas crianças para a escola, quase todas têm vagas garantidas, mas elas realmente estão aprendendo alguma coisa?

Garantir um bom desempenho, uma boa base e uma escola atrativa para as crianças menores é fundamental para que elas tenham interesse e se sintam motivadas a continuar a estudar. Levar os jovens ao ensino médio ainda é um grande desafio do Brasil.

Apesar da péssima colocação do Brasil, o país tem registrado avanços. Por exemplo, houve uma melhora de 18% no nível de matemática dos nossos alunos. Vale lembrar que esses avanços vêm sendo registrado há muitos anos, desde o governo do presidente Fernando Henrique.

O problema é que, nos últimos anos, temos avançado a passos muito curtos. Temos ainda um grande déficit com relação ao restante do mundo.

Nossos governantes deveriam observar com atenção os dados da pesquisa e definir a educação como uma prioridade absoluta. Isso só tem acontecido nos discursos e na propaganda oficial do PT.

A OCDE recomenda que os governos nacionais identifiquem os estudantes com baixa performance e que tenham uma estratégia especial para eles. Além disso, são necessárias outras ações como o estímulo ao ingresso escolar cada vez mais cedo e o envolvimento das famílias nas ações escolares.

As iniciativas do Brasil neste sentido são muito tímidas. Mas é urgente que mudemos isso. Nossos jovens precisam e devem acompanhar o ritmo do restante do mundo.

Epidemia de Zika vírus traz desafios a longo prazo para o Brasil

Não bastasse o mau exemplo que hoje somos para o mundo no que diz respeito à corrupção, incompetência na administração pública e sucessivos erros na política econômica, os erros do Brasil na questão da saúde também se tornam motivo de preocupação internacional.

Na última semana, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que a disseminação do zika vírus e sua provável ligação com casos de microcefalia tornaram-se uma emergência de saúde pública mundial.

Diante da demora do governo brasileiro em agir, mesmo com milhares de casos de microcefalia e outras complicações neurológicas, a OMS chamou para si a responsabilidade de lidar com o problema.

Com essa declaração, espera-se que haja uma mobilização internacional em torno de pesquisas sobre o tema, na busca de vacinas e tratamentos.

Mas há dois aspectos, no Brasil, sobre a doença que precisamos analisar.

O primeiro deles diz respeito ao futuro das milhares de famílias já atingidas pela microcefalia. Que tipo de assistência será garantida a essas crianças que, em muitos casos, serão dependentes pelo resto da vida?

É uma questão que precisa ser respondida pelo governo e pelo Congresso brasileiro. Devemos discutir o assunto com urgência.

Outro ponto que precisa ser debatido é de que forma conseguiremos mobilizar a sociedade brasileira para o combate ao mosquito aedes aegypit?

O governo brasileiro foi omisso, demorou muito a agir no caso do zika vírus, mas não seria justo dizer que a culpa é só dele.

Há décadas o Brasil luta contra a dengue. São milhões de casos ano a ano, mas continuamos assistindo cenas de imóveis abandonados, lixo nas ruas e água parada.

Essa é uma guerra de todos. Se queremos evitar que boa parte de uma nova geração seja acometida pela microcefalia, precisamos todos nos mexer. Caso contrário, o futuro dos brasileiros que estão para nascer poderá ser muito triste.