
Celebrar as mães é fazer um apelo à paz. Embora a ciência já esteja produzindo filhos de proveta, o termo mãe é intimamente ligado a entranhas; e entranhas, a silêncio, harmonia, desenvolvimento, segurança.
E o que é a paz senão o silêncio? O silêncio não significa ausência de sons. É palavra sem alarido, movimento sem atropelo, música sem estridência. É a batida ritmada do coração. Esse silêncio da sinfonia da vida, no estúdio das entranhas, é a paz que deve dirigir o homem.
E o que é a paz senão a harmonia? Harmonia é a estreita relação de mãe e feto, em mútua e recíproca transformação. O que ameaça, acontece, favorece e prejudica a um, causa o mesmo ao outro. Não raro, a salvação de um está na imolação do outro. Essa união perfeita, essa harmonia de trocas e experiências que ocorrem no núcleo plasmático é o ensaio da união, solidariedade e paz que devem regular o universo.
E o que é a paz senão o desenvolvimento? Pelo frágil elo do cordão umbilical, essa via de comunicação entre dois mundos, passa a força amniótica que, em fases lentas e sucessivas, vai gerar a máquina mais perfeita e complexa, capaz de criar outras que movimentam e constroem o mundo. Esse fenômeno que ocorre dentro do útero, tornando vida um frágil embrião, é forma de desenvolvimento que leva à integralidade do ser. Daí à plenitude, que inclui a paz, só depende do homem.
E o que é a paz senão a segurança? E o que é a segurança senão a demonstração da fragilidade. O ventre da mãe é muralha e a placenta, sistema de proteção que vão garantir, em nove messes, o surgimento da obra-prima da criação, o mais frágil e o mais poderoso. O homem não precisa mais do que ele próprio para estar seguro, nascer, crescer e estar em paz.
Mãe – de suas entranhas vem a vida. Do coração dos homens virá a paz. Pense se não é: vida é o sumo bem do ser humano e paz, o único meio de preservá-lo.
Rodrigo de Castro, Deputado Federal



















